"Hora!... Depois que o marido "deixou" ela não faz outra coisa a não ser abrir as pernas.
"Chi, como você é maliciosa Lulu! Também não é assim". Ah! não é não...respondeu a Lili... então venha ver pra crer.
Saíram em braços dados, percorrendo a praça pública em direção ao "Campo da bola" local em que reúnem os rapazes "peladeiros". Já ao longe se ouvia os gritos e palavrões dos jogadores exaltados. "Vá tomar no..., "Porra"... "Filho da pu..." "Caralho"... e assim por diante. Aproximando-as cada vez mais dos vozeirões, até que um muro de baixa altura fazia parreira. Mas, mesmo assim, elas apoiaram seus braços e contemplaram a visão total do "Campo da bola". Ali jogavam os dois melhores times da cidade em torneio válido para a final. No local onde elas estavam debruçadas sobre o muro, não dava pra ver quem estava sentado abaixo do muro. Elas só ouviram as vozes: "Cara, tô com uma mulher a tal Mariazinha, largada do marido a bem poucos dias. Você não conhece. É um fodão de mulher, engole uma rola a mais do que um engolidor de espada. Chora e chia na boleta, só quer é mais". O outro diz: "Ah! já sei quem é. É uma magrinha que mora na casa dois da rua de baixo. Ela é muito falada". As duas ouviram a conversa e regalaram os olhos, em gestos de confirmação o que foi dito. Saíram de fininho, voltando para as suas casas em cochichos.
Dentro de um ônibus urbano, encontra-se um individuo com um celular na orelha, respondendo em voz alta: "U que? Fale mais alto? Ah! sim. Encontrou com ela... Você não perde tempo... E aí, mandou ferro... Não subiu, encolheu... Chi!... rapaz... Vá depressa ao médico, a coisa é braba... Você pode broxar novamente, cuide-se, a cachaça lhe mata... Tchau..."Desligou o celular.
Na rua ouvimos o que queremos e o que não queremos . Vemos coisas inusitadas junto ao povo no dia a dia. São comentários e visões que muitas vezes não estamos acostumados a ouvir e a ver.
Nesta cidade interiorana tudo é visto tudo é comentado e sacramentado. Nada escapa sem o povo saber no pé do ouvido. As maledicências das pessoas não têm limites. Porque a falta do que fazer cria imaginações na mente curta e preguiçosa. Uma história cresce na verdade e na mentira.
Álvaro B. Marques
Dentro de um ônibus urbano, encontra-se um individuo com um celular na orelha, respondendo em voz alta: "U que? Fale mais alto? Ah! sim. Encontrou com ela... Você não perde tempo... E aí, mandou ferro... Não subiu, encolheu... Chi!... rapaz... Vá depressa ao médico, a coisa é braba... Você pode broxar novamente, cuide-se, a cachaça lhe mata... Tchau..."Desligou o celular.
Na rua ouvimos o que queremos e o que não queremos . Vemos coisas inusitadas junto ao povo no dia a dia. São comentários e visões que muitas vezes não estamos acostumados a ouvir e a ver.
Nesta cidade interiorana tudo é visto tudo é comentado e sacramentado. Nada escapa sem o povo saber no pé do ouvido. As maledicências das pessoas não têm limites. Porque a falta do que fazer cria imaginações na mente curta e preguiçosa. Uma história cresce na verdade e na mentira.
Álvaro B. Marques
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