terça-feira, 8 de novembro de 2011

LIBERTINAGEM


Às vezes é necessário sair da rotina do trabalho, do hábito no lar do percurso das caminhadas, do domínio da leitura religiosa e por vezes passamos os olhos naquelas palavras que não somos acostumados a ler mas que bole com os sentimentos adormecidos, irreveláveis no mais pacato do ser humano. É o despertar da palavra sensual produzida no livro, na mensagem carregada de efeito erótico. Toda essa imaginação nos leva ao desejo do corpo e a praticar o que a mente ordena. O instinto sensual humano é muito criativo e voluptuoso basta o olhar para o pensamento criar imagem. A sexualidade coloca a pessoa no avesso e o ato acontece convulsivamente. Leia está história... O telefone toca, a voz é conhecida que diz docemente “venha me ver” respondi imediato; dentro de meia hora. Ao chegar, bato na porta e recebo um abraço e um rosto para o beijo de boas-vindas. Permanecemos abraçados a porta fecha com os pés para não separar a mão do corpo querido. Nossos olhos se olham com ternura e os lábios se encontram na certeza do querer um ao outro. A mão começa a ter pressa e às roupas vão saindo lentamente do corpo ávido de desejos. No caminho as peças ficam em direção ao quarto que lá está a cama a nossa espera. Beijos em sôfrego no corpo quente e desejado, os olhos fecham para sentir mais a gostosa emoção. Nossos desejos estão concentrados na penetração e recepção em querer juntos na formação de um corpo. Os movimentos se aceleram em ritmo de vai e vem com as respirações cada vez mais aceleradas, somente param quando o orgasmo percorre o seu caminho. Fez uma pausa nos corpos molhados de suor produzido pela energia liberada. Ficamos juntos até ter certeza de que tudo aquilo é realidade em não querer afastar o corpo. Naquele instante não aceitamos nem pensar o que somos. Só queremos mais tempo para ficar juntos e sentir o mesmo frenesi do amor da história mais antiga da palavra amante.
 Álvaro B. Marques SSA, 08.11.2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

IMPULSO DESEJADO

O desejo humano não tem regra pré-estabelecida, é conseqüência natural do momento. Principalmente quando se trata de sexo, aí então, o impulso fala mais alto e o corpo reage em atitude descontrolada.

Tudo inicia com o olhar, vai para a mente e automaticamente às mãos reagem no corpo imóvel da amada. As mulheres adoram mãos que exploram cada centímetros do corpo delas. Basta ser o amante suave começa de leve,aumenta gradualmente a pressão, com a ponta dos dedos percorre a nunca, toca as pálpebras com delicadeza, dedica-se a orelha uma mordidinha bem de leve. Aproveitando a proximidade da boca, enfia a língua nos dela, beija com desejo.

Da cabeça, parte para o pescoço em movimento de vai e vem com controle no impulso para não deixar marcas na pele sensível, lambe e acaricia com os dedos, ocupa-se dos seios, já endurecidos, suga os mamilos delicadamente, brinca com os biquinhos como se fosse neném. A mulher adora ser venerada é julgada Deusa. Neste momento repare as reações dela, veja o quanto de receptividade ela mostra para lhe oferecer.

Sim, os preliminares foram perfeitas, o caminho estava aberto, agora é só o ato supremo pode levar ao orgasmo perfeito. Pois segue passo a passo como manda o clube dos que sabem fazer tudo o que delas gostam! Considera-se o bom de cama, o profundo conhecedor da genitália feminina, o praticante especial do cunilíngua.

É conhecedor dos seus instintos, mas não confia muito. Por isso, pergunta sempre, na dúvida se está agradando, se aquela é a posição certa, se há algum desconforto, se ela chegou primeiro ou depois dele. Esses são os procedimentos normais do homem não acostumado com a mulher, a maioria nem fazem pergunta, só querem jogar duro e sair mole. Bom garoto. E esquece que a sua companheira também merece sentir o orgasmo.

Veja esse outro caso, relato de uma mulher: Tudo aconteceu tão rápido, tão impensável que ainda não acredito que tenha sido eu, penso até que foi um sonho. É sábado, dia de todos os acontecimentos, bons e ruis. Ainda mais para uma mulher separada e carente como eu, desejosa por badalações e novas companhias.

Recebo um telefonema de Carla, convidando-me para irmos a festa de aniversário de uma amiga. Era o que eu queria. Lá para as 10hs. Fui me produzir, coloquei um vestido leve e transparente, estava na porta do prédio onde moro a espera da Carla. No horário combinado chegou, entrei no carro e fomos parar enfrente ao prédio de apartamentos onde mora a amiga. Ao entrar na festa, sentimos a música e o falatório dos convidados. Fui apresentada a anfridriã e a todos, comecei a fazer parte da festa e não reparei quem chegava. Em certo momento, senti que alguém estava me olhando e vi dos olhos felinos, masculinos, querendo engolir meu corpo inteiro. Não dei muita importância é natural em festa. Em seguida fui ao banheiro, retocar a maquiagem, ouvi o trinco de porta bater e do espelho dava para ver quem estava chegando, lembrei que não tranquei a porta e vi pelo espelho os olhos felinos, na mão um copo ainda ao meio de bebida pousando sobre uma peça do banheiro. Voltei o meu corpo para a porta e sem voz, fiquei sem mobilidade, seus braços já estavam na minha cintura, puxou contra si e seu rosto colou com o meu. Levou meu corpo até a pia e colocou as mãos sobre os meus seios, apertou simplesmente e desceu pelas coxas, rasgou e arrancou a calcinha. Eu gritei em protesto, não muito alto. Ele agarrou meus cabelos e puxou para trás, chupou meu pescoço. Doeu, continuou doendo. Aquele bruto, animal! Ele tentava levantar o vestido, eu não ajudei, ouvi a seda rasgando, momento antes de ser colocada de quatro no chão e ser penetrada com força por trás. Ah, ahhh que animal. Lascou e senti a penetração profunda. Em poucos movimentos ele parou e virou meu corpo para penetrar na vagina, úmida e desejosa. A penetração foi rápida, senti seu pênis bater na parede do útero, uma pequena dor senti misturada com indescritível prazer. Eu o arranhava e beijava, Ele me feria e suava, seu cheiro era doce e forte, suas mãos me apertavam, estava faltando ar em meus pulmões. Ele parou e nossos orgasmos foram intensos e únicos. Ele desabou sobre mim quando acabou, fiquei lá deitada sentindo o peso do homem bem mais alto que eu e a respiração ofegante. Levantou-se e saiu apressadamente, fui me compor, retoquei a maquiagem novamente e sai do banheiro. Fui violentada, fui estuprada.

Na realidade, todas as mulheres desejam ter um caso com um cafajeste, real ou imaginário, com porrada ou sem porrada. Cria fantasias sexuais na presença e na ausência dos maridos. Mesmo que isso não seja para ela traição. Só é considerado traição quando o ato é realizado plenamente. Bela hipocrisia. O instinto humano vai da carícia a agressividade, da inércia a violência. Por isso, a transa violenta é inesquecível, é a mais procurada e a mais desejada, mesmo com todos os riscos selvagem. Quantas mulheres dizem em rodinhas com amigas: Ah! Eu não, na cama eu sou uma puta pra meu marido. É o homem virar a mulher de ponta-cabeça e ter certeza de que ela gostou, sem precisar perguntar, sem nem ao menos pensar nisso. Nada de pessoal no sexo. Deve ser livre, legal, espontâneo, violento ou gentil não importa. O importante mesmo é o prazer sexual. É claro que nem todas as cabeças são iguais, cada um pensa e age de maneira diferente. Mas em si tratando de sexo, é bom sentir de novo.

Álvaro/Catugeje

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O CARNAVAL DE ODÊ

Está é uma pequena história que aconteceu no Domingo de Carnaval em Salvador, Bahia, terra dos famosos Carnavais de rua. Em todos os Carnavais há um destaque na música ou cantor novo. Porém, o assunto não é ás músicas lançadas e nem os cantores novos que se misturam com os mais famosos no meio da multidão alegre e saltitante.

É a narrativa contada por um folião:

“ No meio de muitas “pipocas” sempre há um que brinca discretamente, desfilando com o seu abadá multicolorido e sem vinculo com entidade carnavalesca.

O Raimundo Nonato tem o apelido de Odê por suas façanhas, principalmente nos dias de Carnaval. Odê é um carnavalesco solitário dos seus trinta anos. Ele sabe desfrutar dos momentos alegres do Carnaval e como é natural que seja, o seu objetivo é caçar mulher, melhor que seja aquelas que já passam dos trinta e que fazem dos dias de Carnaval (aqui são 5 dias ) revezamento de homens em atos sexuais. Encubadas durante o período que antecede o Carnaval. Nesses dias elas soltam as “frangas” e esquecem todo o pudor. É assim que Odê descobre a sua odalisca e faz harém.

No meio de tantas, Odê descobre Salustiana, mulher ardorosa, olhar penetrante, aproximou-se e trocaram palavras, vestida com um abadá do bloco famoso. Pelo seu sotoque deu a entender ser sergipana ou alagoana, pra ele tanto faz. Só que a Salú era o contraste em altura e cor. Ela branca e muito alva, percebe-se que não toma sol e ele cor de ébano, alto e musculoso. Ambos eram só sorrisos e uma latinha de cerveja nas mãos.

Odê atraiu a mulher com o seu jeito de homem “visgo de jaca” com sua dança Rebolation. Era tudo que Salú desejava. Saíram da multidão e foram para uma barraquinha reservada. Lá beberam mais cervejas e comeram um prato chamado “arrumadinho”. Ao saírem, foram direto para um Motel perto do local a onde estavam. Ela foi logo ao banheiro e ele ligou a TV. Já meio sonolento deitou, acordou com o movimento da Salú na cama. Ela estava pelada e começou a tirar a roupa de Odê, quando ela viu o pênis de Odê, disse:” É com esse que eu vou”. O negão a pegou e enfiou o “fumo de corda” ela suspirou, mexeu os olhos e abraçou com mais força àquele tórax Herculano. Fizeram mais esses movimentos no resto da noite. Pela manhã, o sol invadiu o quarto e os amantes apressados vestiram as roupas. Saíram para nunca mais se verem. Odê chama a canção na voz e volta para a multidão.”

Essa é uma história igual a várias outras que passam no Carnaval baiano. É comum vê nesta festa amassos dos casais em plena rua ou esquina. Casais que nunca se viram, se agarram e se beijam. É uma atração momentânea louca que envolve a música, o requebro e os sorrisos. Motivado pelo álcool e outras drogas com embalo a grande festa leva o povão até a quarta-feira de cinza. É o frenesi da juventude que manifestou a energia e a frustração armazenada durante todo o ano e finalmente liberada.

O Carnaval da nossa Bahia parece ser igual aos anteriores, mas não é. A música, o povo e as cores são outras novidades. A cada ano surge um novo Odê para contar uma nova história do Carnaval cheio de Axé.

Álvaro B. Marques

SSA, março de 2011