quinta-feira, 28 de abril de 2011

O CARNAVAL DE ODÊ

Está é uma pequena história que aconteceu no Domingo de Carnaval em Salvador, Bahia, terra dos famosos Carnavais de rua. Em todos os Carnavais há um destaque na música ou cantor novo. Porém, o assunto não é ás músicas lançadas e nem os cantores novos que se misturam com os mais famosos no meio da multidão alegre e saltitante.

É a narrativa contada por um folião:

“ No meio de muitas “pipocas” sempre há um que brinca discretamente, desfilando com o seu abadá multicolorido e sem vinculo com entidade carnavalesca.

O Raimundo Nonato tem o apelido de Odê por suas façanhas, principalmente nos dias de Carnaval. Odê é um carnavalesco solitário dos seus trinta anos. Ele sabe desfrutar dos momentos alegres do Carnaval e como é natural que seja, o seu objetivo é caçar mulher, melhor que seja aquelas que já passam dos trinta e que fazem dos dias de Carnaval (aqui são 5 dias ) revezamento de homens em atos sexuais. Encubadas durante o período que antecede o Carnaval. Nesses dias elas soltam as “frangas” e esquecem todo o pudor. É assim que Odê descobre a sua odalisca e faz harém.

No meio de tantas, Odê descobre Salustiana, mulher ardorosa, olhar penetrante, aproximou-se e trocaram palavras, vestida com um abadá do bloco famoso. Pelo seu sotoque deu a entender ser sergipana ou alagoana, pra ele tanto faz. Só que a Salú era o contraste em altura e cor. Ela branca e muito alva, percebe-se que não toma sol e ele cor de ébano, alto e musculoso. Ambos eram só sorrisos e uma latinha de cerveja nas mãos.

Odê atraiu a mulher com o seu jeito de homem “visgo de jaca” com sua dança Rebolation. Era tudo que Salú desejava. Saíram da multidão e foram para uma barraquinha reservada. Lá beberam mais cervejas e comeram um prato chamado “arrumadinho”. Ao saírem, foram direto para um Motel perto do local a onde estavam. Ela foi logo ao banheiro e ele ligou a TV. Já meio sonolento deitou, acordou com o movimento da Salú na cama. Ela estava pelada e começou a tirar a roupa de Odê, quando ela viu o pênis de Odê, disse:” É com esse que eu vou”. O negão a pegou e enfiou o “fumo de corda” ela suspirou, mexeu os olhos e abraçou com mais força àquele tórax Herculano. Fizeram mais esses movimentos no resto da noite. Pela manhã, o sol invadiu o quarto e os amantes apressados vestiram as roupas. Saíram para nunca mais se verem. Odê chama a canção na voz e volta para a multidão.”

Essa é uma história igual a várias outras que passam no Carnaval baiano. É comum vê nesta festa amassos dos casais em plena rua ou esquina. Casais que nunca se viram, se agarram e se beijam. É uma atração momentânea louca que envolve a música, o requebro e os sorrisos. Motivado pelo álcool e outras drogas com embalo a grande festa leva o povão até a quarta-feira de cinza. É o frenesi da juventude que manifestou a energia e a frustração armazenada durante todo o ano e finalmente liberada.

O Carnaval da nossa Bahia parece ser igual aos anteriores, mas não é. A música, o povo e as cores são outras novidades. A cada ano surge um novo Odê para contar uma nova história do Carnaval cheio de Axé.

Álvaro B. Marques

SSA, março de 2011

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